segunda-feira, 23 de novembro de 2009

TRIBUTO A SHIOZAWA, by Oswaldo Simões

TRIBUTO A SHIOZAWA.

“Oss”... Shiozawa! ou Obrigado Shihan Shiozawa!

“Oss” significa “Salve” em japonês.
“Sensei” significa “Professor”.
“Shihan” significa “Grande Mestre”.


Transcorridos 12 meses e 6 dias de haver recebido uma ligação emocionadíssima do meu amigo e campeão Carlos Cunha comunicando a “passagem” para uns e “morte” para outros do Inesquecível Mestre Lhofei Shiozawa exatamente em 03/11/2008, Cunha, me pediu de imediato uma frase que expressasse Shiozawa para homenageá-lo em seu site JUDOBRASIL.

Ainda aturdido e sobre forte impacto da notícia,”EU”disse:
“REFERÊNCIA EM EXCELÊNCIA”...

Hoje 09/11/2009 passado um ano do acontecimento, quero registrar por escrito, que Lhofei Shiozawa “Não” morreu, “Êle” está “PRESENTE” em cada criança que coloca um judogui no Brasil.

Há muito “Vivo” de Shiozawa em cada judoka brasileiro, nos que tiveram a honra de conviver com Êle e nos que ainda estão iniciando na prática do Judô no Brasil.
Lhofei Shiozawa, filho de imigrantes japoneses, iniciou na prática da “Filosofia de Vida, segundo Êle chamada Judõ” no interior de São Paulo e tornou-se o maior nome do judô no Brasil, nas Américas e no Mundo.

Primeiro brasileiro a representar o Brasil nas Olimpíadas de Munique em 1972 ao lado do japonês naturalizado brasileiro Chiaki Ishi.

Shiozawa, peso médio 80kg e Chiaki Ishi, 93kg, dupla que brindou e fêz vibrar o público com um “Judô Excelente” em várias finais da categoria absoluta na qual, revezavam-se os resultados.

Entretanto,ficou registrado em minha memória e em todos que assistiram a espetacular vitória de Shiozawa sobre Ishi na final do absoluto de 1971 realizado na AABB- Lagoa no RJ.

Shiozawa 13 kg mais leve aplicou um tai-otoshi de esquerda marcando wazari no placar. Ishi, tentou novamente aplicar seu fortíssimo o-soto-gari de direita e foi surpreendido com outro fortíssimo tai-otoshi de esquerda de Shiozawa , dessa vez “IPPON”, fim de luta, início de uma saudação entre os dois, registro do mais genuíno JUDÔ, “aguerrido e fraterno” fruto do respeito, amizade e admiração mútuas, conquistadas e desenvolvidas nos treinamentos do dia a dia e na valorização de cada gôta de suor gasta para representar o Brasil nos tatames internacionais e servirem de exemplo, molde, fôrma para todos que representaram o País no futuro.

A semente genuína desses pioneiros, trouxe uma colheita próspera em títulos e mitos do Judô Nacional.

Aí está a “EXCELÊNCIA” de Lhofei Shiozawa, tornou-se um mito por suportar o sacrifício do treinamento, agigantar-se e superar-se no momento decisivo da competição e administrar a fama resultante das incontáveis vitórias de maneira extremamente simples.

Shiozawa tornava simples o complexo, através de movimentos realizados com extrema precisão, harmônicos em firmeza e leveza, acompanhados de uma educação, gentileza e sensibilidade para com a missão de ensinar sua arte, que pelos estados onde passou, deixou campeões, judokas, amigos e admiradores.
Um verdadeiro “Missionário do Judô Nacional”, São Paulo, Brasília,Bahia e Goiás, foram os estados onde fixou residência.

Obrigado, Shihan Shiozawa, faixa vermelha merecidamente.

Tal era a humildade de Shiozawa que numa homenagem prestada pelo campeão olímpico Aurélio Miguel em 2007(SP), “Shiozawa disse não ser merecedor da faixa vermelha por não haver sido campeão mundial”.

Presentes na sala: Eu, Ricardo Campos, Tranquilini e Cunha.
Respondi a Shiozawa:

“Ora sensei o senhor foi mais que campeão mundial, sem as condições dos campeões mundiais, foi PIONEIRO e EXEMPLO para várias gerações, inclusive a mim que consegui o Mundial Universitário que é seu também".

Finalizei com a minha opinião e a concordância dos presentes:
“Se Shiozawa, não merecer, ninguém merece no Brasil”.

Finalizo como comecei, mas, com a certeza de que os judokas do Brasil unem-se a mim potencializando a dimensão dessa breve homenagem, dizendo:

OSS... Obrigado, Shihan Shiozawa!

Oswaldo Cupertino Simões Filho

Abaixo duas lutas de Shiozawa vencendo seus adversários. A primeira no campeonato mundial de 1961 contra os espanhol Antonio Navarro. A segunda luta contra o Koreano Kim nas Olimpiadas de Tokyo em 1964. Valeu Sensei. OSS