sábado, 22 de outubro de 2011

Em memória a Lhofei Shiozawa

Nossas homenagens ao sensei Lhofei Shiozawa.

Agradecimentos a Fernando Brito pelo envio das imagens.

 Texto retirado do BLOG JUDO e POESIA (http://judoepoesia.blogspot.com/2008/05/lhofei-shiozawa-semente-da-vitria.html)

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LHOFEI SHIOZAWA ( 1/07/1941 - 3/11/98)
– A SEMENTE DA VITÓRIA


Thiago Camilo, Edinanci Silva, Danielli Yuri, Flávio Canto, Luciano Corrêa, Ketleyn Quadros, Mayra Aguiar, Sarah Menezes, Érika Miranda, Leandro Grilheiro, Eduardo Santos, João Gabriel, João Derly, o galante Guilherme Luna e a princesa Camila Minakawa - atletas e estrelas (mas seres humanos! E quanta beleza há nisto!) têm mestres, que tiveram mestres, e, na terra onde foram plantados pode ser encontrado o poderoso gene de Lhofei Shiosawa.

Ele foi o primeiro brasileiro campeão pan-americano de judô, vencendo na primeira vez em que esse esporte integrou os Jogos. Lhofei Shiozawa, filho de imigrantes japoneses, nasceu em uma colônia em São Paulo em 1º de julho de 1941. Com seis anos já estava no tatame, com 14 venceu o Campeonato Brasileiro.

Em 1964, Lhofei Shiozawa tornou-se o primeiro judoka brasileiro a participar de uma olimpíada. Terminou em 5º lugar ao perder a disputa pela medalha de bronze. Aos 23 anos de idade, Shiozawa foi convocado para defender o Brasil em uma época em que se vivia o momento do esporte puramente amador.

Contar com apoio oficial ou um patrocínio era um luxo que poucos podiam imaginar. Sozinho, ele embarcou para Tóquio e começou a quebrar as primeiras barreiras de um esporte que, até então, era pouco difundido no Brasil.

Chegando ao Japão, os primeiros problemas começaram a aparecer. Sem técnico e local específico para treinar, Shiozawa teve que resolver sozinho. Falando um pouco de japonês, aprendido na colônia onde morou perto de São Paulo, conseguiu um local para treinar.

"Sorte minha que, quando saí de São Paulo, peguei uma carta de apresentação de um amigo para treinar em uma universidade no Japão. Se não fosse isso, teria competido sem treinar", revelou.

Entretanto esse foi apenas um dos problemas enfrentados na sua primeira participação em uma olimpíada. A desorganização na delegação brasileira era tamanha que Shiozawa não tinha transporte nem orientação. Até os boletins enviados pela organização dos jogos, que informavam onde e quando lutar foram lidos por ele.

"Eu andava de metrô por toda a cidade de Tóquio ia e voltava da universidade sem ajuda de ninguém. Ainda bem que falava um pouco de japonês", sorri Shiozawa.

"Nunca tive um treinamento específico ou um técnico nas competições. Estive muito sozinho nos eventos e ainda assim consegui ganhar vencer alguns torneios", diz com modéstia.

Ao longo da carreira Shiozawa ganhou mais de 200 troféus e um número maior de medalhas. Disputou nas categorias médio (até 80kg) e absoluto. Em sua época não havia o número de competições que há atualmente. "Em 12 anos de seleção brasileira participei de tantas competições quanto a seleção atual participa em pouco mais de 2 anos", ressaltou.

Porém, o número de títulos em sua carreira são impressionantes mesmo comparado aos dos atletas de ponta atuais: 4 vezes campeão pan-americano, campeão dos Jogos Pan-americanos, 2 vezes campeão sul-americano, 15 vezes campeão brasileiro (peso médio e absoluto), 5º colocado em olimpíada e 5º em mundial.

Depois de 2 anos dando aulas na Universidade Nacional de Brasília (1975 à 1977), Shiozawa deslocou-se para Goiânia, onde permanece até hoje em sua Academia Nikkei. Professor de Educação Física, mesmo afastado dos grandes centros formadores, Shiozawa acompanha a evolução e o desenvolvimento do judô.
Alcançou todos os objetivos: casado, pai de três filhos, o Prof. Shiozawa quer agora passar sua experiência para seus alunos. "Não quero apenas formar apenas grandes atletas. Antes de tudo quero formar bons cidadãos e ajudar a melhorar a sociedade brasileira", finalizou.